CONSULTORIA: TRANSFORMANDO DIAGNÓSTICOS EM SOLUÇÕES

Reinaldo Passadori | BRASIL

Para início de conversa, o que é, de fato, ser um consultor?

Um consultor, em primeiro lugar, é um agente de transformação, ajudando as empresas e organizações saírem de um patamar insatisfatório para um outro, esperado, combinando competências técnicas, maturidade emocional e habilidade relacional. Trata-se de um profissional cuja missão é ajudar o cliente a pensar melhor, tomar as melhores decisões para que as empresas tenham seus resultados e expectativas atendidos.

As metodologias adotadas pelo consultor favorecem todas as fases das mudanças a serem implementadas, tendo em vista a clareza dos objetivos, análise dos resultados e as ações a serem implementadas em um determinado tempo previsto.

Um método que temos utilizado em todos os nossos trabalhos, criados em nossa empresa é o Método F.A.L.A.R, inicialmente idealizado para apoiar pessoas no desenvolvimento de habilidades de comunicação e depois utilizado em processos de mentoria. É um acrônimo de cinco letras cujos significados, sequencialmente, são: F de Finalidade, A de Análise, L de Lapidação, A de Avaliação e, por último o R de Resultado.

Exemplificando em um processo de consultoria:

F de Finalidade é a meta, o objetivo, o resultado esperado com o trabalho da consultoria, baseado em uma dor, em uma necessidade ou expectativas.

A de Análise, significa uma escuta profunda e leitura do ambiente, levantando as informações pertinentes ao contexto do desafio, desde clima, cultura, resistências, jogos de poder, identificando efetivamente o problema existente, não raro diferente daquele imaginado em uma primeira instância.

Essa fase também considera a capacidade analítica aliada à visão sistêmica, analisa dados, processos e indicadores, compreende pessoas, relações, estratégias adotadas e identifica os sintomas e as raízes dos problemas.

Essa fase culmina em um planejamento estratégico para implementação de ações, estabelecendo um cronograma, ou seja, quem faz o que, de que forma e quando, além de esclarecer alguns por quês e para quês.

L de Lapidação, consiste na ação, na prática, na implementação, na definição dos recursos humanos, técnicos, financeiros e atitudinais para, conforme o plano de ação, gerar as mudanças definidas. O meio de aplicação depende de uma série de fatores, quer seja da consultoria ou da empresa, dos riscos, pessoas e profissionais envolvidos, além dos recursos necessários e disponibilizados.

A de Avaliação, mensurando tudo o que foi feito, fazendo os necessários e devidos ajustes, aferindo os resultados aplicados, corrigindo eventuais falhas e refazendo algum procedimento ainda necessário, chegando assim na próxima fase que é o Resultado.

R de Resultado, como o próprio nome diz, é o novo nível esperado em conformidade com o que foi idealizado e realizado. É também o momento de se criar estratégias e métodos para se perpetuar essa nova fase de atuação da empresa, modificando critérios da cultura e dos valores, se for o caso, implementando procedimentos, documentos, manuais de orientação, treinando, preparando as pessoas para viverem em harmonia e equilíbrio com as mudanças geradas pela consultoria.

Esse método tem apoiado grandes mudanças em vários contextos de mudanças de atitudes e comportamentos de profissionais e de organizações.

Diferente de outras profissões, o consultor não entrega apenas um produto ou serviço: ele interfere em decisões, influencia pessoas, impacta culturas e orienta rumos estratégicos. Por isso, mais do que conhecimento técnico ou domínio de métodos, o que sustenta uma consultoria é a postura profissional alicerçada em valores claros, inegociáveis e a confiança que inspira.

Gosto da analogia de umconsultor como um construtor de pontes.
De um lado está a empresa com seus problemas, conflitos, desafios e limitações e do outro, os objetivos desejados: crescimento, eficiência, alinhamento, resultados e sustentabilidade. A ponte que liga esses dois lados não se sustenta apenas em boas ideias, ela precisa de pilares sólidos, que são a competência, experiência, postura e os valores do consultor.

A postura do consultor profissional é percebida nos gestos, na fala, nas decisões e, principalmente, na forma como ele se relaciona com o cliente, além de saber ouvir, conectar informações, ser claro e objetivo, simplificando falas ou processos complexos, ajudando a empresa e seus dirigentes a enxergarem o que, sozinhos, não conseguem ver.

Outro ponto essencial é a firmeza respeitosa. Em muitos momentos, o consultor precisará dizer o que ninguém gostaria de ouvir, mostrar incoerências, revelar desalinhamentos e provocar mudanças e fazer isso com elegância, ética e empatia.

Uma empresa de consultoria, para ser bem-sucedida, precisa construir reputação todos os dias, pois métodos podem ser copiados, ferramentas podem ser replicadas, mas postura e valores são intransferíveis, dentre os quais destaca-se a maturidade ética, materializada quando o consultor trabalha para que o cliente não dependa dele indefinidamente. Seu objetivo não deve ser criar vínculos de dependência, mas sim desenvolver capacidade interna, clareza decisória e autonomia organizacional.

Consultorias que se sustentam no longo prazo são indicadas, recomendadas e lembradas justamente porque resolveram problemas de forma estruturante, não paliativa.

No mercado da consultoria, a reputação circula mais rápida do que qualquer material de marketing. Cada reunião, cada conversa informal, cada decisão reforça ou fragiliza a imagem do consultor.

Podemos afirmar que: Postura constrói confiança, valores sustentam decisões e a confiança gera a reputação que mantém a consultoria viva, sendo esses os critérios que sustentam a confiança do mercado, fidelizam clientes, geram indicações e criam legado.

Se a postura é o que se vê, os valores são o que sustentam o consultor quando surgem dilemas, pressões e escolhas difíceis.

O primeiro valor inegociável é a ética. Um consultor ético não vende soluções desnecessárias, não cria dependência artificial, não promete o que não pode entregar e não manipula informações para agradar o cliente. Ele entende que o contrato maior não é o comercial, mas o moral.

Outro valor essencial é a honestidade intelectual. Bons consultores reconhecem limites. Dizem “não sei” quando não sabem e buscam aprender antes de opinar. Paradoxalmente, essa postura aumenta a sua credibilidade.

Há também a responsabilidade com pessoas. Decisões de consultoria impactam carreiras, relações, clima organizacional e autoestima profissional. Um consultor consciente entende que não lida apenas com números e processos, mas com seres humanos, além de questões relativas à preservação do meio ambiente e de governança. Em síntese, consultoria não é apenas o que se faz, mas quem se é enquanto se faz e é exatamente essa coerência entre discurso, prática, postura e valores que transformam consultores em referências e empresas de mentoria em marcas respeitadas.